Por Fabiana Arrighi | Arrighi Regulatória | Junho de 2026
Glosas de faturamento são uma das maiores fontes de perda de receita nos hospitais públicos e privados conveniados ao SUS. Estima-se que, em média, entre 5% e 15% do faturamento hospitalar seja glosado ou subotimizado — recursos que poderiam ser revertidos em investimento assistencial e operacional.
O problema, na maioria dos casos, não está na qualidade do atendimento prestado, mas na codificação inadequada de procedimentos, no preenchimento incompleto de documentos e no desconhecimento das regras de compatibilidade da tabela SIGTAP. Compreender essas causas é o primeiro passo para eliminá-las.
O que é uma glosa e por que ela acontece?
Glosa é a recusa, total ou parcial, do pagamento de um procedimento pelo gestor municipal ou estadual do SUS após a análise do registro de produção. Ela pode ocorrer em AIHs (Autorizações de Internação Hospitalar) ou em APACs (Autorizações de Procedimentos Ambulatoriais de Alta Complexidade), e se origina de causas técnicas, documentais ou de codificação.
As causas mais comuns incluem:
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Código de procedimento incompatível com CID-10 registrado;
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Incompatibilidade entre o procedimento e a faixa etária ou sexo do paciente;
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Ausência de habilitação do estabelecimento para o procedimento registrado;
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Laudos médicos incompletos ou sem fundamentação clínica adequada;
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AIH apresentada fora do prazo permitido (após o quarto mês da alta);
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Codificação desatualizada — uso de procedimentos não vigentes na competência do atendimento.
A tabela SIGTAP e a atualização mensal que muitas equipes ignoram
A tabela SIGTAP — Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS — é o instrumento oficial que define códigos, valores e regras de utilização de todos os procedimentos do SUS. O DATASUS a atualiza mensalmente por competência, e cada competência pode trazer inclusões, exclusões, alterações de regras ou ajuste de valores.
O que muitas equipes de faturamento não percebem é que utilizar dados de competência errada — faturar com uma versão desatualizada da tabela — gera automaticamente rejeições por procedimento inválido ou por regra de compatibilidade inexistente naquele período. Em abril de 2026, por exemplo, foram incluídos novos procedimentos sem alteração de valores existentes, o que exige atenção constante da equipe.
Como estruturar um processo de faturamento que previne glosas?
A resposta está em sistematizar, não em resolver caso a caso. As principais medidas estruturantes são:
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Manter a tabela SIGTAP atualizada mensalmente nos sistemas de gestão hospitalar;
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Criar um fluxo de revisão prévia de AIHs antes da apresentação ao gestor, com checklist de compatibilidades;
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Capacitar a equipe de faturamento nas regras específicas dos procedimentos mais realizados na instituição;
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Implantar auditoria interna mensal de produção para identificar padrões de glosa;
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Garantir que laudos médicos sejam completos e vinculados ao diagnóstico principal e secundário registrados.
O papel da auditoria de faturamento como ferramenta de gestão
Mais do que identificar erros passados, uma auditoria de faturamento bem conduzida serve como mapeamento prospectivo: ela revela quais procedimentos a instituição realiza e não registra, quais habilitações estão sendo subutilizadas e quais oportunidades de receita existem dentro do que já é feito clinicamente. Em muitos casos, o faturamento SUS pode ser significativamente otimizado sem nenhum aumento de produção — apenas ajustando codificação e fluxos.
A Arrighi Regulatória realiza revisões completas de faturamento SUS, identificando inconsistências, oportunidades de melhoria e capacitando as equipes para manter os resultados de forma autônoma.
